Jacob era um homem sério
e muito exigente. Era daquele tipo de antigamente: um olhar bastava
para manifestar a sua contrariedade. Um olhar, por exemplo, num
dos músicos do seu conjunto por causa de um erro qualquer
era mais violento do que qualquer espinafração.
Mas dentro de toda aquela seriedade
pomposa vivia uma grande criança. Escrivão de uma
vara criminal, expediu certa vez uma intimação para
o cantor e compositor Luiz Vieira. Quando este chegou ao foro e
viu Jacob foi logo falar com ele para saber do que se tratava, se
estava envolvido em algum caso sem saber ou se havia alguma acusação
séria contra ele:
— Nada disso. E só para você autografar esse
seu disco que, aliás, está muito bom —
disse-lhe Jacob.
Já contei essa história
no meu “ABC” e conto de novo. Quando Jacob teve seu
primeiro enfarte, o médico lhe perguntou que marca de cigarro
fumava e quantos maços eram consumidos por dia., “Cinco
de Minister” — informou o bandolinista. “Pois
agora você terá que reduzir para um maço de
Minister”.
Jacob passou a comprar um de Minister,
um de Hollywood, um de LS, um de Continental e um de Mistura Fina.
De volta ao medico.— Quantos
maços de Minister você está fumando por dia?
- Um -, respondia Jacob que, aliás, não gostava
de mentir.