Este trabalho compreende as
gravações de Jacob do Bandolim como solista e as reedições
de sua obra no período de 1947 até 1969, quando faleceu.
Inclui também gravações e reedições
lançadas após seu falecimento, além de participações
especiais, como solista, em discos de outros artistas.
Músicos acompanhantes:
a) discos solo:
Em suas gravações Jacob foi acompanhado, invariavelmente,
por quatro grupos musicais:
1)
César Faria e seu conjunto - (gravações
de 1947 a 1951) - grupo que tocava com Jacob, na Rádio Mauá,
fazendo acompanhamento de cantores e calouros, na década
de 40, com César Faria e Fernando Ribeiro (violões),
Pingüim (cavaquinho) e Luna (pandeiro).
César Faria, além
de ser compadre de Jacob, era o seu "escudo", pois conhecia
todo o seu repertório. Acompanhou Jacob por mais de 30 anos.
Fernando Ribeiro, músico
da noite, com diversas influências musicais, foi o responsável
pelo famoso e criativo solo de violão na gravação
de Remelexo (Continental n.º 15.957). Infelizmente, faleceu
prematuramente. Também participaram das gravações,
Jessé (violão), Elias (cavaquinho) e Alberto (pandeiro).
Este grupo participou de todas as gravações de Jacob,
na Continental, e das primeiras gravações quando Jacob
se transferiu para a RCA Victor, em meados de 1949.
Uma curiosidade: o cavaquinista
Canhoto gravou pela primeira vez com Jacob em 1950, formando um
trio de cordas com César Faria e Jessé, em gravações
históricas, como Pé-de-moleque (RCA 80.0653) e Numa
seresta (RCA 80.0667). A partir de 1951 já com o seu grupo,
o Regional do Canhoto, ao lado de Dino e Meira, acompanharia Jacob
nas gravações na RCA Victor, por toda a década
de 50.
2)
Regional do Canhoto - Em 1951, Canhoto, Dino e Meira, que
pertenciam ao Regional de Benedito Lacerda, formaram um novo grupo,
pois já não concordavam com as constantes ausências
de Lacerda que, bastante famoso e com um avião a sua disposição,
mantinha inúmeros compromissos fora da atividade musical.
Canhoto assumiu a direção do grupo e convidou Altamiro
Carrilho para a flauta e Orlando Silveira para o acordeom. Surgiu
então o grupo que ficou conhecido como modelo de regional
por excelência - o Regional do Canhoto.
Este regional acompanhou Jacob nos estúdios de 1951 a 1961,
tendo sido o grupo com quem mais gravou. Sua formação:
Altamiro Carrilho (flauta), Orlando Silveira (acordeom), Dino (violão
sete cordas), Meira (violão), Canhoto (cavaquinho) e Gilson
ou Jorge Silva, "Jorginho" (pandeiro).
3)
Jacob e seus chorões / Jacob e seu regional / Época
de Ouro (1961 a 1969) – núcleo musical que
acompanhou Jacob desde o início dos anos 60 até seu
falecimento. Com o passar dos anos, Jacob foi mudando a denominação
do grupo, até ficar conhecido como Época de Ouro.
Dino (violão de sete cordas), César Faria (violão),
Carlinhos Leite (violão), Jonas Silva (cavaquinho), Gilberto
D’Ávila (pandeiro).
4)
Estúdio da Rádio MEC - Gravações
informais realizadas nos estúdios da Rádio MEC (1959),
sob a direção do produtor da rádio e pesquisador
Mozart de Araújo e que foram lançadas em CD no Japão(1994)
e no Brasil (1997). Participaram os músicos: César
Faria (violão), Carlos Fernandes de Carvalho Leite "Carlinhos"
(violão), Jorge Pereira Simas “Tico-tico” (cavaquinho)
e Francisco de Assis das Dores, o "Chiquinho do Pandeiro".
b) regionais nas rádios
- Durante cerca de 25 anos Jacob atuou nas rádios acompanhando,
de calouros aos grandes cantores ou se apresentando como solista.
O início foi na Rádio Guanabara, em 1934, com Jacob
e sua Gente, composto por: Osmar Menezes e Valério Farias
"Roxinho" nos violões, Carlos Gil no cavaquinho,
Manoel Gil no pandeiro e Natalino Gil no ritmo.
Ainda na década de 30, na
Rádio Ipanema, que depois virou Radio Mauá, o grupo
era formado por Jacob, Mario Silva (violão), Claudionor Cruz
(cavaquinho e violinha), Chico das Dores (pandeiro) contando ainda
com Osmar e César Faria nos violões.
O Regional da Rádio Nacional
foi um dos grupos que mais atuou com Jacob e era formado por Arthur
Duarte (violão de sete cordas), César Moreno (violão),
Índio do Cavaquinho, e Luna ou Jorginho, no pandeiro. Este
grupo acompanhou Jacob na década de 50 em programas semanais
na Rádio Nacional, nos quais era chamado de "O Mago
do Bandolim". Também fizeram apresentações
especiais como no Hotel Quitandinha, em Petrópolis, mas não
chegaram a gravar em disco com Jacob.
c) participações
especiais - Jacob recebeu grandes músicos em seus
discos, como o maestro e trombonista Nelsinho, as flautas de Altamiro
Carrilho e Ary Duarte, o piston de Maurílio Santos e os baixistas
Luiz Marino e Antonio Taranto, o clarinete de Paulo Moura, o clarone
de Sandoval Dias, sem esquecermos do magistral encontro de Jacob
com Elizeth Cardoso e o Zimbo Trio, no Teatro João Caetano.
d) percussionistas
- Durante sua carreira, Jacob sempre fez questão de ser acompanhado
por um excelentes time de ritmistas, dentre eles: Luna, Jorge Silva,
o "Jorginho do Pandeiro", Gilson, Gilberto, Barão,
Pedro dos Santos e Jamil.
e) maestros
- Em alguns LPs, Jacob foi acompanhado por orquestras ou pequenas
formações de cordas com naipe de sopros e teve como
maestros e arranjadores nomes como Radamés Gnattali e Carioca
(Época de Ouro/59), e Zaccarias (Na Roda do Choro/60) e Mozart
Brandão (Valsas Brasileiras de Antigamente/60), além
da Suíte Retratos, composta, regida e acompanhada ao piano
pelo próprio Radamés Gnattali, em 1964.
Sergio Prata
Fontes consultadas:
Jacob do Bandolim, de Ermelinda A. Paz (Funarte/1997);
depoimentos de: Déo Rian, César Faria, Elena Bittencourt
e Jorginho do Pandeiro;
Arquivo do Jacob, no MIS/RJ.