Sobre a suspensão do CD Elizeth Cardoso e Jacob do Bandolim no Teatro João Caetano
O jornal "O Globo, em nota publicada em 12.10.04, na coluna Discolândia, ressalta que a gravadora Biscoito Fino colocará à venda um lote extra de 800 unidades da caixa produzida com Lps de Elizeth Cardoso, revertidos para o suporte Cd - e entre os quais se encontra o álbum-duplo que reuniu, em 1968, Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim, Zimbo Trio e o conjunto Época de Ouro, no Teatro João Caetano. A nota ressalva que "...quem quiser tem que correr, já que o Museu da Imagem e do Som, que tem os direitos de um dos discos, não renovou o contrato".
O Instituto Jacob do Bandolim, desde a gestão da Prof. Marilia T. Barbosa, pesquisadora emérita, vem mantendo uma profícua relação com o Museu da Imagem e do Som, relação esta que se manteve ativa após a posse do insigne Maestro Edino Krieger. O resultado dessa parceria resultou no trabalho de digitação do acervo de 122 fitas magnéticas onde Jacob registrou seus famosos saraus e que constituem um bem patrimonial tão importante quanto o referido Cd, que registrou o mágico encontro de Jacob do Bandolim com Elizeth Cardoso, com a magnífica participação do Zimbo Trio e do conjunto Época de Ouro e cujo roteiro do referido espetáculo e a produção artística resultante daquele registro em suporte fonográfico foi de responsabilidade de nosso conselheiro Hermínio Bello de Carvalho.
Ressalve-se, para melhor entendimento de todos, que parte do acervo de Jacob do Bandolim foi adquirido, após sua morte, pela Cia. Souza Cruz e doado ao Museu da Imagem e do Som, para que fosse preservado e colocado à disposição do público.
Com relação ao disco que reuniu Jacob e Elizeth, convém esclarecer que o Museu da Imagem e do Som não possuía em seus arquivos as fitas-matrizes que registraram aquele mágico concerto. Quando, em parceria com a Tartaruga Records, o MIS editou no Japão um Cd duplo com uma versão quase integral daquele concerto, valeu-se, como agora, do arquivo pessoal da família de Jacob do Bandolim - a partir de um segundo lote de fitas descoberto muitos anos após o desaparecimento de Jacob e mantido até então intocável pelos seus herdeiros. Parte desse acervo foi também aproveitado pelo mesmo Museu da Imagem e do Som, que editou o elogiado Cd " Sem Jacob, Com Jacob" contendo execuções inéditas de Jacob - e que, infelizmente, não chegou as lojas. O Instituto Jacob do Bandolim, criado para preservar e divulgar a obra musical de seu patrono, tem, entre outros objetivos, a democratização do acesso daquele acervo ao público da música e, em especial, à gente do choro - que tem no bandolinista uma de suas referências mais significativas. A não renovação daquele contrato e, principalmente, o não relançamento do CD, a ninguém beneficia. Até porque não ficaram claros os possíveis óbices que impediriam, juridicamente, a circulação do referido disco. Assim, perde-se um pouco da memória de Jacob do Bandolim e Elizeth Cardoso, e também do magnífico trabalho desenvolvido pelo Zimbo Trio e pelo conjunto Época de Ouro. Perde, sobretudo, a cultura brasileira a possibilidade de ter acesso a um dos "marcos da discografia brasileira" - conforme ressalta o crítico Sergio Cabral, e tantos outros que fizeram público reconhecimento à importância daquele registro.
O Instituto Jacob do Bandolim, que tem o maior apreço e respeito pelo Sr. Secretário de Cultura, Prof. Arnaldo Niskier, bem como, pelo maestro Edino Krieger, Diretor Presidente do MIS/RJ, confia que tal decisão será revista, evitando-se assim, além dos prejuízos culturais, que atingem a todos nós, os prejuízos financeiros que tal negativa poderá trazer ao próprio MIS, único detentor dos direitos e royalties que resultariam da comercialização do referido álbum.
Rio de Janeiro, 15 de outubro de 2004
Instituto Jacob do Bandolim Diretoria e Conselho Consultivo
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